PERIODICIDADE DE CALIBRAÇÃO –  

      UMA NECESSIDADE

 

As normas ABNT NBR ISO 10012:2004 (Sistemas de gestão de medição - Requisitos para os processos de medição e equipamentos de medição) e ABNT NBR ISO/IEC 17025:2006 (Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração) não definem periodicidade de calibração, sendo facultado ao usuário definir em procedimento a metodologia utilizada para definição desta periodicidade.

Os intervalos de calibração devem ser estabelecidos com base na estabilidade, propósito e condições de uso do equipamento ou padrão, devem ser reduzidos em função dos resultados de calibrações prévias que demonstrem sistematicamente a condição de não conformidade do equipamento padrão ou devem ser ampliados somente se os resultados de calibrações anteriores demonstrarem inequivocamente que tal ação não afetará a confiança na manutenção da exatidão do equipamento ou padrão.

Apesar de fabricantes recomendarem a calibração anual, a freqüência da calibração deve ser estabelecida em um procedimento, sendo o critério escolhido por meio de uma série de fatores, tais como: 

 

Análise da tendência conforme os dados das calibrações anteriores; 

 

Histórico de uso e manutenções; 

 

Comparação com a periodicidade de equipamentos similares; 

 

Exatidão da medida. 

 

Vale salientar    que geralmente os fabricantes dão garantia sobre o instrumento de 12 (doze) meses não se responsabilizando por possíveis falhas dos resultados apresentados pelos instrumentos, a partir desta data, recomendando por isso a calibração anual.

Sendo assim é fundamental que a empresa prestadora de serviço apresente procedimento específico e metodologia para determinar a periodicidade dos seus equipamentos, assim como análise crítica dos resultados de calibração e acompanhamento periódico da manutenção de seus equipamentos.

Outro ponto a se destacar também é a importância das calibrações anterior e posterior para algumas avaliaçãoes, por exemplo com o audiodosimetro e com bombas gavimétricas, além de serem exigidas pelas Normas de Higiene Ocupacional (NHO), garantem a validação da amostra em função da ausência de desvio significativo.

Como por exemplo o acompanhamento da  taxa de incerteza do equipamento desde sua calibração inicial. Caso a mesma se mantenha dentro da faixa de tolerância especificada pelo fabricante e apresente apenas variação gradual compatível com o tempo de uso do equipamento, não há necessidade de se alterar a periodicidade. Vale destacar também que alguns métodos permitiem a dilação do prazo de calibração em função dos cálculos realizados.

Seguem elencados alguns dos métodos propostos para a definição dos intervalos de calibração.

 

MÉTODOS PARA ANÁLISE CRÍTICA DOS INTERVALOS DE COMPROVAÇÃO

Um sistema que mantém intervalos de comprovação sem análise crítica, determinados tão somente pela intuição técnica, não é considerado suficientemente confiável, sendo necessária a definição de uma metodologia para análise crítica dos intervalos de calibração.

 

MÉTODO DO AJUSTE AUTOMÁTICO

Cada vez que um equipamento é comp

rovado de forma rotineira, o intervalo subsequente pode ser estendido, caso seja considerado dentro dos limites de tolerância, ou reduzido, se estiver fora destes

limites.

 

MÉTODO DO GRÁFICO DE CONTROLE

 

São escolhidos os mesmos pontos de calibração de cada comprovação e os resultados são levados a um gráfico em função do tempo. A partir do gráfico são analisadas as dispersões e conforme o resultados das mesmas faz-se a mudança no intervalo de comprovação.

 

MÉTODO DO TEMPO DE USO

 

Este método é uma variação dos métodos anteriores. O método básico permanece inalterado, mas o intervalo de comprovação é expresso em horas de uso em vez de meses decorridos.

 

REFLEXÕES

 

Pouco se sabe sobre o que realmente esta envolvido nos processos de calibração e verificação dos equipamentos e instrumentos de medição na área de Saúde e Segurança do Trabalho. Por exemplo, sou professor e engenheiro de segurança do trabalho, mas no curso não há qualquer referência a processos técnicos de calibração, incertezas ou intempéries, e, principalmente, a prática de utilização dos equipamentos de medição que passa pela montagem, configuração, verificação, teste e aprovação das medições.

Perguntamos a partir do exemplo: todos nós calibramos nossos medidores de nível de pressão sonora na RBC ou INMETRO, contudo ninguém informa o que será calibrado ou que elemento da calibração será calibrado... Então pergunto: Vocês sabiam que os medidores e áudio-dosímetros só são calibrados eletricamente? Isto é uma maravilha para os Laboratórios. E os microfone e pré-amplificadores que são os responsáveis para traduzir o estímulo mecânico para o elétrico. Porque isto é omitido? E ai... O que se fazer? Um calibrador acústico que emite mais de três freqüências e duas amplitudes pode estar a resposta para este processo, pois verifica-se a cadeia de medição atestando a linearidade em freqüência e em amplitude. Não é difícil afirmar que pode existir uma série de equipamentos “calibrados” que podem estar com os microfones, parte mais exposta e frágil, e os pré-amplificadores estragados ou funcionando com erros grosseiros, e, ainda, com a transdução do sinal cheia de ruídos elétricos.

A calibração por sua vez vem se tornando a maior justificativa para se reconhecer uma medição e emitir pareceres e perícias técnicas. Perguntamos  novamente: Quem atesta a competência do operador ou consultor? A calibração é muito importante, mas por si só não é o processo mais importante para o reconhecimento de uma medição, pois retrata uma condição de laboratório. O mais importante é a competência dos operadores, isto é, o seu credenciamento para a realização de determinadas atividades. Hoje como todos sabem... Bastam os médicos e engenheiro do trabalho saírem de seus cursos de pós-graduação para se atestarem especialistas nas diversas áreas de atuação que as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relaciona.

Embora seja, também, engenheiro de SST, acho particularmente uma atrocidade, embora seja em parte competência realmente da área de SST, pois trata com regulamentação e direito do trabalhador. Por exemplo, se estiver na Lei escrito um procedimento ou nível de tolerância a partir do qual há o ensejo da aposentadoria especial (MPAS) ou a insalubridade (MTE), o mesmo será sempre  observado mesmo que a Lei seja revogada, pois continua valendo a época, pelo princípio do direito adquirido. Por esses fatos deve-se exigir para as questões de perícia ambiental e ocupacional a atuação dos profissionais de saúde e segurança do trabalho.

Algumas Normas da ABNT vêm limitando as atuações em áreas específicas, pois recomendam no seu corpo a especializações do profissional executor do procedimento ou avaliação, um ponto bastante importante para a questão da certificação do profissional.

Voltando para as questões ambientais e de aposentadoria, muitas vezes por essa cultura e falta de conhecimento, o Legislador não acredita ou desconfia das demonstrações ambientais, com certa razão, exagerando nas periodicidades dos demonstrativos e esquecendo-se de levar em consideração os históricos anteriores, por exemplo: a primeira vez que se regulamentou o uso do áudio-dosímetro através de uma Instrução Normativa do INSS (IN 49 e IN 57) foi no início dos anos 2000 quando se estabeleceu, nos casos da existência de nível de pressão sonora variável para a atividade, o emprego do áudio-dosímetro em 75% da jornada de trabalho. 

Todas estas respostas não estão nos fornecedores que muitas vezes vendem e realizam medição com seus próprios equipamentos se auto-credenciando, sem ao menos serem registrados no CREA como pessoa jurídica e física responsável pelos demonstrativos ambientais em SST. Pergunto os gestores se atentam para este fato promovendo a profissionalização ou vão pelo mais barato conforme processos de licitação ou tomada de preços?

Muitas vezes os fornecedores de equipamentos e laboratórios acreditados omitem fatos e verdades, inventando processos de medição mirabolantes cheios de erros e considerações e que não possuem qualquer respaldo visto esta área de atuação ser regulamentada. Alguns laboratórios e fornecedores buscam a certificação do processo e a acreditação de apenas um serviço se intitulando como executores de vários outros serviços que não foram acreditados pelo INMETRO... Cada serviço há um número de acreditação....

Então vai uma dica: quando verificar um certificado de calibração que necessita de reconhecimento mútuo basta apenas verificar se existe o selo do INMETRO ou da RCB, e que neste não esteja escrito a periodicidade de calibração como preconiza a ISO 17025; conforme informamos neste trabalho (ref ISO guide 25 e ISO 17025).

 

BIBLIOGRAFIA

 

[1] - Glossário da Qualidade edição DGQ. 1981;
[2] - Periodicité des Calibrations, Paris, L.F.Pau, École Nationale Superieure des Télécommunication. 1978
[3] - Guidelines for the Determination of Recalibration Intervals of Measuring Equipmente Used in Testing Laboratories - "ORGANISATION INTERNATIONALE DE METROLOGIE LÉGALE"
[4] - Principles Concerning Choice, Official Recognition, Use and Conservation of Measuremente Standards - OIML.
[5] - Force Measuring Systems of Testing Machines - Time Interval between Calibration - Australian Standard 2193/1978.
[6] – Periodicidade de Calibração de Transdutores de Acústica e Vibração – Revista do INMETRO, Regazzi, Rogério Dias, 1996.
[7] – Livro Perícia e Avaliação de Ruído e Calor, primeira e segunda  edição, Regazzi, Rogério Dias, Moras, Giovanni.

 

Retirado do:  Blog Victor Costa | Site Getrotech